Terça-feira

PARATY RJ.

Chegando a Paraty percebe-se que estamos diante de um lugar que exala história por todo canto a cidade faz parte do nosso Brasil colônia, terra onde os índios tamoios foram exterminados e para quem não sabe, tem algo em comum com o Espírito Santo, pois o Padre José de Anchieta, antes de adotar o nosso Estado, já havia passado por lá, em 1554 com a esquadra de Duarte da Costa, na época segundo governador geral do Brasil, foi ele que tentou promover a paz no local, entre os índios tamoios e os homens brancos – o beato morreu em nossas terras, em 1597. Paraty também foi caminho do ouro que vinha das Minas Gerais, onde segundo o costume da época, era feito o quinto, uma espécie de comissão que era destinada à Coroa Portuguesa mais tarde, o imposto ficou conhecido como o "quinto dos infernos”. Hoje, ao chegar a Paraty vemos uma cidade bonita, bem cuidada, a parte antiga, fechada ao trânsito, abriga vários casarios, com sorte ainda é possível ver os telhados da época, feitos nas coxas dos escravos e, por isso desigual. Destaque para o calçamento pé-de-moleque, o meio da rua é mais baixo, pois na época não havia rede de esgoto e as pessoas jogavam os dejetos em qualquer lugar. E como a cidade fica próxima a linha do mar, na maré cheia a água invadia as ruas, na vazante levava toda a sujeira, algo difícil de acreditar nos dias de hoje, mas bastante eficaz na época. Conta-se que a cidade ganhou esse nome graças à espécie de peixe Paraty, abundante em suas águas, mas eu gosto mesmo da outra versão, que conta o seguinte: quando Deus distribuiu as terras no mundo, deu um pedaço para cada santo, satanás não ganhando nada, perguntou: "Senhor, e para mim?". Deus apontando para um pedaço de terra perto do mar e longe de tudo falou: "Essa é para ti." Esse pedaço de terra foi o único lugar que satanás não criou problemas, essa é a impressão que se tem em Paraty, Mas a cidade oferece muito mais, uma culinária digna dos turistas mais exigentes, uma rica cultura, com destaque para a Feira Literária Internacional (Flip), além de uma natureza exuberante, com seu pedaço de Mata Atlântica ainda conservada, e o mar verde-esmeralda, também é morada de Amir Klink, o navegador brasileiro, passear em Paraty é gratificante, com suas inúmeras lojas de artesanato de boa qualidade, a cachaça Paraty, conhecida nacionalmente, e as dezenas de igrejas centenárias, algumas ainda em pleno funcionamento, é por essas e outras que eu digo: "Vá a Paraty pelo menos uma vez".


César Augusto Dias Eleodoro
Turismólogo. rasectur@hotmail.com.br

1 comentários:

Anônimo disse...

O TEXTO É ÓTIMO. BEM SUCINTO,MAS AO MESMO TEMPO MUITO RICO EM DETALHES.
SEMPRE TIVE VONTADE DE CONHECER PARATI,AGORA QUE LI ESTA REPORTAGEM
ME SINTO AINDA MAIS INSTIGADA EM FAZÊ-LO.

ABRAÇO.
ARACELE.