Saímos do Rio de Janeiro a meia noite, lembro-me de toda hora perguntar, Joel ta chegando? E ele dizia, logo atrás daquela montanha, talvez por isso eu tenha ficado com a impressão que aqui só tivesse montanhas, também contou que uma delas tinha o nome de frade e a freira por ter esta aparência, eu só fui entender anos depois, pois naquele dia eu só queria chegar, não só pelo cansaço mais pela expectativa que todo menino tem, ainda mais em um fusca com seis pessoas, chegamos por volta de sete horas no sitio do tio Carlos, que ficava em Santa Rosa alguns quilômetros antes do posto caju as margens da BR 101 na entrada de torres, onde ficava o único telefone do local. Na entrada havia uma porteira, eu me ofereci para abrir, depois do carro ter passado meu tio falou, fica sentado aí no pára-lama que tem outra ali na frente, Que felicidade! Primeiro chegamos a uma casa suspensa em colunas e assoalho de madeira, alguns animais dormiam à noite embaixo dela. Havia também, um açude e uma pequena cachoeira. Depois de tomar um cafezinho, fomos para a casa principal, a do “tio Carlos” o melhor foi quando meu tio disse para eu ir dirigindo, enquanto o carro andava percebi que havia um córrego ao lado da estradinha de terra, dava pra ver que a água era muito limpa, Próximo havia uma espécie de roda de pedra, que girava com a força da água daquele corrego. Minha tia disse que era um engenho onde se fazia fubá. Era ele também que fazia o gerador funcionar e levava energia até a casa. Anos mais tarde voltei, desta vez sozinho. Da janela do ônibus da Itapemirim, aquele antigo, com a traseira redondinha, pela janela ia me encantando com a paisagem. O que via era muito diferente – muitos quilômetros sem nenhuma casa, só alguns bois pastando nas fazendas a beira da estrada... Me lembro que o ônibus fazia paradas em várias cidadezinhas, onde alguém subia com um animal debaixo do braço, um galo um pato... Ficava com pena do bicho naquele calor. Eu ainda viajava com autorização dos meus responsáveis e aquilo pra mim era o máximo. Bem isso é passado. Hoje morando em Cachoeiro de Itapemirim, casado e formado em turismo, gosto de tirar fotos. Em algumas situações volto ao passado. Quando estou fotografando ainda vejo estas mesmas paisagens com olhos de criança deslumbrada. Acho que é assim que os turistas que nos visitam olham nossas belas montanhas, nosso litoral, nossas cachoeiras, nosso rio, nossa gente, as casas de Roberto Carlos e Rubem Braga, a ilha do Meirelles, a fábrica de pios, antigas estações ferroviárias, as fazendas centenárias... Ah! Como é bom fotografar! É como ser criança de novo, mais isso só acontece aqui, onde vivi minhas melhores emoções, onde eu era feliz e não sabia.César Augusto Dias Eleodoro
Turismólogo rasectur@hotmail.com
3 comentários:
Meu primeiro texto publicado no jornal A Gazeta ES, espero que goste e deixe seu comentário.
Boa noite, eu sou a Dulce prima do Cesar, filha do Carlos mencionado neste texto, que morava em Santa Rosa nesse sitio maravilhoso, me fez lembrar que naquela época levantava 5h da manha tirava o leite levava pra estrada, onde o caminhão do laticínio pegava a nossa produção do leite, obrigada Cesar por lembra-se desse tempo tão maravilhoso.
Adorei , foi fantastico, as reportagens ecologicas e as fotos maravilhosas
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